terça-feira, 23 de outubro de 2012

Mullets e Eu

Eu sempre morri de medo de cachorro. Aos quatro anos um cachorro quase me desfigurou com uma bocada. Ou seja, até de poodle eu tinha medo. Para piorar eu morava em uma casa que tinha um pastaor alemão ultra mega bravo que não gostava de ninguém. Sério. Só pude brincar no quintal quando ele morreu e eu tinha sei lá uns 7 anos.

Eu já tinha meus 20 anos e estava dormindo quando o meu irmão apareceu em casa e me mostrou o cachorro que ele tinha ganho: um labrador, de 3 meses. Uma amiga veterinária deu para ele por que ele estava barrigudo (vermes) e ninguém quiz. Eu não tive coragem de chegar perto mesmo achando ele lindo. Barriga nunca foi problema na nossa família...

Quando eu levantei e fui tomar café ele estava na cozinho olhando para mim. Com os olhos mais coitados do mundo. Não teve jeito peguei no colo. Abracei e apertei muito. Me apaixonei.

O Mullets (idéia idiota do meu irmão) foi muito mimado. Assim como o Marley ele merece um livro. Juro, meu cachorro fez coisas anormais. Gordo, o bicho era obeso. Prato preferido: pizza de mussarela. Fruta: banana (descascava sozinho). Hobby: ver tv. Mania: tirar o cochilo da tarde na cama do meu irmão.

A primeira vez que tomamos um susto, foi quando um caminhão desgovernado invadiu nossa garagem. Mullets sempre ficava na garagem tomando sol. A criançada da rua ficava no portão passando a mão nele. Belo cão de guarda né? Enfim, quando chegamos em casa a primeira coisa a perguntar foi: cadê o cachorro? Ele correu a tempo e não aconteceu nada, a não ser um pequeno trauma de caminhões.

Mullets era o típico cão grande e estabanado. Mas tinha muito cuidado quando tinha criança por perto. O Bruno fazia ele de tapete. Achei que fossem brinca muito junto.

Um dia apareceu um caroço na boca do Mullets. O veterinário perguntou se queriamos uma biopsia. Achamos melhor não. Ele removeu e avisou: se voltar significa que é tumor e é maligno. Três meses depois da cirurgia o caroço voltou. Nem quimio adiantaria mais. Ele já não corria, não latia, não brincava.

Quando o rosto ficou todo deformado e ele já nem andava decidimos sacrificar. Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Meu irmão nem estava em casa, estava viajando. Gritou e chorrou horrores que que iam matar o cachorro dele sem deixar ele se despedir. Eu não quiz me despedir. Odeio despedidas.

O Eduardo levou para o veterinário. Enquanto isso contei para o Bruno que não ia mais ter Mullets para gente brincar. Ele não sentiu muito a falta, quando vê alguma foto me fala: olha o Mullets.

Ele tem me pedido muito um cachorro. No dia que o Mullets morreu jurei nunca mais ter um cão. A gente se apega, se doa, e eles vão embora? Nunca mais queria sentir aquela dor de novo. Mas sabe que hoje que tenho vontade de pegar um filhote? Morro de saudade da sensação que o animal de estimação provoca na gente. Eles nos amam demais. Sinto uma saudade enorme de ter um companheiro de 4 patas. Acho que seria bom para o Bruno viver isso.

Acreditam que não tenho uma foto dele para postar aqui? Estão todas na casa da minha mão...
Mas juro: ele era o cachorro mais lindo do mundo!

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